Carta Pastoral à Arquidiocese de São Paulo

 



CARTA PASTORAL À QUERIDA ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO


Aos sacerdotes e diáconos, aos religiosos e religiosas, aos seminaristas, às famílias, aos jovens, às crianças, aos idosos e a todo o santo povo de Deus que peregrina nesta Igreja de São Paulo: graça e paz da parte de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Meus queridos irmãos e irmãs,

Ao dirigir-me a todos vós como Arcebispo Metropolitano de São Paulo, meu coração se enche de gratidão e de responsabilidade. A missão que o Senhor me confiou nesta Igreja particular não é para mim motivo de honra pessoal, mas chamado ao serviço, à entrega e à caridade pastoral.

Ser Arcebispo de São Paulo é receber sobre os ombros a responsabilidade de caminhar com um povo numeroso, diverso e profundamente marcado pela fé. É entrar nas alegrias e nas dores desta cidade; é estar junto daqueles que celebram, mas também daqueles que sofrem; é procurar os que estão próximos e não esquecer os que, por tantas razões, se encontram afastados da comunidade eclesial.

A Arquidiocese de São Paulo não é apenas uma porção do povo de Deus que me foi confiada: é um povo que Deus me chamou a amar. E é justamente no amor que desejo exercer o meu ministério episcopal.

Quero ser, entre vós, um pastor próximo. Um pastor que escuta antes de falar, que caminha antes de apontar caminhos, que conhece as feridas do seu povo e procura, com a graça de Deus, ajudá-lo a encontrar nelas não motivo para desespero, mas ocasião de esperança.

Não ignoro os grandes desafios de nossa Arquidiocese. Sei que vivemos em uma sociedade marcada por tantas mudanças, desigualdades, sofrimentos e incertezas. Mas sei também que existe uma Igreja viva, generosa e missionária, formada por homens e mulheres que todos os dias testemunham que o Evangelho continua sendo força capaz de transformar vidas.

Por isso, meus irmãos e minhas irmãs, não tenhamos medo de caminhar juntos. Não tenhamos medo de abrir as portas de nossas igrejas, de ir ao encontro dos que estão nas periferias, dos pobres, dos esquecidos, dos que perderam a esperança. Uma Igreja verdadeiramente de Cristo jamais poderá permanecer indiferente diante das dores do seu povo.

Peço aos sacerdotes que continuem sendo homens de Deus e homens do povo. Aos religiosos e religiosas, agradeço o testemunho de uma vida entregue. Aos jovens, digo: a Igreja precisa da vossa coragem e da vossa esperança. Às famílias, recordo que sois a primeira escola da fé. E a cada fiel desta Arquidiocese digo, com simplicidade de coração: caminhemos juntos, porque ninguém deve peregrinar sozinho na fé.

Confio o meu ministério, a nossa Arquidiocese e cada um de seus filhos à poderosa intercessão da Virgem Maria. Que Ela, Mãe da Igreja, nos ensine a escutar a Palavra, a servir com humildade e a permanecer sempre próximos de Jesus Cristo.

E se um dia me perguntarem o que significa para mim ser Arcebispo de São Paulo, talvez eu possa responder apenas isto: é amar um povo que Deus colocou em meu caminho e entregar a esse povo, todos os dias, aquilo que sou e aquilo que tenho.

Que o Senhor me conceda a graça de ser fiel até o fim à missão que me confiou.

Com paternal afeto, minha oração e minha bênção,

Dom Murilo Paiva

Arcebispo Metropolitano de São Paulo

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