Porque o Cristo do Evangelho nunca teve medo de aproximar-se daqueles que estavam à margem. Jesus não passa pela periferia como quem passa por um lugar estranho. Ele entra, senta-se, escuta, partilha e permanece. Por isso, talvez a pergunta não seja apenas: “Onde está Deus?”
Talvez o maior desafio da nossa fé não seja acreditar que Jesus existe, talvez seja reconhecê-lo quando ele aparece diante de nós com o rosto de um pobre.
Porque é fácil procurar Deus diante do altar, é fácil reconhecê-lo na beleza de uma igreja, é fácil falar de Cristo quando estamos entre aqueles que pensam como nós.Mais difícil é reconhecê-lo na rua, na periferia, na favela, no rosto cansado, na mão estentida, naquele que incomoda, naquele que foi esquecido.
Mas foi justamente aí que Jesus prometeu estar.
E talvez um dia descubramos que, enquanto procurávamos Deus nos lugares onde esperávamos encontrá-lo, Ele estava caminhando conosco pelas vielas, sentado à mesa dos pobres e esperando que tivéssemos olhos para reconhecê-lo. O pobre não é apenas alguém que precisa da nossa caridade, é alguém através de quem nossa fé é colocada diante de Cristo.
E então permanece a pergunta:
Quando Jesus passar por nós na rua, na periferia, na favela, no hospital, na calçada... nós saberemos reconhecê-lo?
“Tudo o que fizestes a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes.” (Mt 25,40).
A comunidade cristã é chamada a ser uma Igreja que não olha os pobres de longe. Uma Igreja que sai de seus espaços, atravessa as periferias, visita os que sofrem, escuta os que não são ouvidos e transforma a solidariedade em compromisso permanente. Diante do rosto dos pobres, não queremos permanecer indiferentes. Queremos construir comunidades onde ninguém seja descartado, onde a mesa seja partilhada, onde a dignidade seja respeitada e onde a fé se transforme em serviço. O pobre nos evangeliza porque nos recorda aquilo que o Evangelho nunca permitiu que esquecêssemos: Deus não permanece distante do sofrimento humano. Em Jesus Cristo, Deus aproximou-se dos pequenos e fez-se próximo de todos os que sofrem.
Por isso, quando encontrarmos um pobre, não perguntemos apenas: “O que posso dar a ele?”
Perguntemos também: “O que Deus está querendo me revelar através deste encontro?” Porque talvez, naquele rosto cansado, naquela mão estendida, naquela história marcada pela dor, esteja acontecendo um encontro que pode transformar nossa própria fé.
OREMOS:
Amém.

