A eleição termina, mas a missão de construir uma sociedade mais justa continua.
Como franciscanos, somos chamados a olhar para a realidade com os olhos de Cristo e com o coração de São Francisco de Assis. O Pobrezinho de Assis não contemplava os pobres de longe, como se fossem apenas um problema social a ser resolvido por outras pessoas. Ele se aproximava, tocava suas feridas, partilhava sua vida e reconhecia neles a presença de Cristo.
É essa a conversão que o Evangelho nos pede: não basta falar dos pobres; é necessário caminhar com eles. Não basta defender a dignidade humana em palavras; é preciso lutar para que ela seja respeitada. Não basta rezar pela paz se permanecemos indiferentes diante das estruturas que produzem miséria, exclusão e sofrimento.
Por isso, este é o momento de agir. De acompanhar aqueles que foram eleitos, de cobrar responsabilidade, de defender políticas públicas que protejam a vida e de permanecer ao lado das comunidades mais vulneráveis. A esperança cristã não é ingenuidade, tampouco conformismo. É uma esperança que trabalha, denuncia, acolhe, organiza e transforma.
Não nos cabe transformar o Evangelho em instrumento de um partido, mas também não podemos aceitar uma fé indiferente à realidade do povo. Nossa fidelidade é a Jesus Cristo, e essa fidelidade nos compromete com a justiça, com a paz e com a defesa incondicional da dignidade humana. É preciso reconhecer o que há de bom, denunciar o que fere a vida e jamais permitir que as diferenças políticas destruam nossa capacidade de reconhecer no outro um irmão.
A justiça não se encerra nas urnas. Ela começa a mostrar seu verdadeiro rosto quando chega à mesa de quem tem fome, à casa de quem não tem moradia e à vida de quem sempre foi deixado para trás.
Porque, no fim, não será suficiente perguntar em quem votamos, quais disputas vencemos ou quais discursos nos convenceram. Precisaremos perguntar o que fizemos para que os pobres vivessem com mais dignidade, para que os famintos encontrassem pão e para que os esquecidos voltassem a ter esperança.
E, diante dessa pergunta, que a nossa resposta seja a própria vida.

