Meditação Franciscana Diária: O TRÂNSITO DE SÃO FRANCISCO.

  

O TRÂNSITO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

O Alverne, as chagas, a dor e o último abraço da Irmã Morte

Queridos irmãos, Paz e Bem!

Há momentos em que a vida de um santo parece tocar tão profundamente o Evangelho que já não conseguimos contemplá-la sem enxergar o próprio Cristo, assim foi com Francisco de Assis.

Francisco não quis simplesmente admirar Jesus crucificado. Ele quis segui-lo até o fim. Quis descer com Cristo ao lugar da entrega, da pobreza, da dor e do abandono. E, no Monte Alverne, aconteceu algo que marcou para sempre sua existência, Francisco recebeu em seu corpo os sinais da Paixão.
Ali, diante do Cristo crucificado, Francisco chorou. E quanto mais contemplava o amor de Jesus, mais desejava participar daquele amor. As chagas apareceram em seu corpo como um selo, mãos, pés e lado marcados pela Paixão.

Depois do Alverne, seu corpo foi ficando cansado. A doença o enfraquecia. A visão desaparecia. As dores aumentavam. Aquele homem que caminhara pelas estradas anunciando o Evangelho agora precisava ser carregado. Aquele que abraçara leprosos agora conhecia profundamente a fragilidade de seu próprio corpo.

Aquele que havia chamado o corpo de “irmão” agora o entregava à terra. Aquele que havia chamado a morte de Irmã Morte agora a recebia como uma visitante esperada.
E então, na tarde de 3 de outubro de 1226, Francisco fez de sua própria morte uma última entrega. Reuniu os irmãos, abençoou-os e, deitado sobre a terra, cantou com eles. Sua vida chegava ao fim, mas sua pobreza se transformava em plena riqueza, ele havia encontrado o Cristo que procurara durante toda a sua existência.
O Trânsito de Francisco nos recorda que seguir Jesus não significa apenas contemplar a cruz, mas permitir que a nossa própria vida seja transformada por ela. Francisco não passou pela Paixão apenas com os olhos, ele a deixou tocar sua carne, seu coração e sua existência.

E talvez aqui esteja uma das maiores lições de sua vida: quem aprende a entregar a vida a Deus não precisa possuir nem mesmo o próprio fim.
Francisco havia contemplado o Cristo crucificado tantas vezes que, no fim, sua própria vida parecia uma continuação daquela entrega.

Talvez hoje precisemos olhar para Francisco e perguntar:

O que ainda não entregamos a Deus?

Qual dor ainda seguramos sozinhos?
Qual ferida ainda escondemos?
Qual segurança ainda temos medo de perder?
Qual parte de nossa vida ainda não colocamos nas mãos do Senhor?

Francisco nos ensina que a santidade não consiste em nunca sofrer, consiste em não sofrer longe de Cristo.
Talvez as nossas próprias feridas, quando entregues a Deus, também possam se transformar em lugares onde Cristo nos encontra.

OREMOS:

Senhor Jesus,
que chamaste Francisco de Assis
a seguir os teus passos até a cruz,
ensina-nos a viver uma fé que não foge do sofrimento,
mas que transforma a dor em entrega e amor.

Que as chagas de Francisco
nos recordem as tuas próprias chagas.
Que sua pobreza nos ensine o desapego.
Que sua humildade nos ensine a servir.
E que seu Trânsito nos ensine a confiar.

Quando chegar a nossa hora,
concede-nos a graça de acolher
a Irmã Morte com o coração em paz,
sabendo que, depois da cruz,
nos espera a vida plena em Ti.

São Francisco de Assis,
irmão menor e imagem viva do Cristo crucificado, 
intercede por nós.

Amém.

+ Frei Dom Lorenzo Maria Ravassi
Bispo Auxiliar de São Paulo
Vigário-Geral Arquidiocesano
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